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sexta-feira, 15 de abril de 2011

História da Páscoa

Ovos pintados: tradição da páscoa
A páscoa, ou Pessach (passagem em hebraico), possui três significados. Para os cristãos é um acontecimento religioso considerado pelas igrejas ligadas a essa corrente religiosa como a maior e mais importante festa da cristandade, onde é celebrada a ressurreição de Cristo, ocorrida três dias após sua crucificação, de acordo com o Novo Testamento. Para os judeus, o Pessach determina o fim da escravidão de quatro séculos no Egito.

O terceiro significado da Páscoa é pouco conhecido. Relata-se sobre uma festa de grupos pastoris que viviam na terra de Canaã no segundo milênio antes de Cristo. No final das chuvas, entre março e abril, eles abandonavam suas terras e viajavam para a região das planícies, mais férteis. A festa da Páscoa pedia proteção durante a travessia.

A palavra páscoa não está relacionada unicamente com o significado simbólico de “passagem”, mas também pela posição da páscoa no calendário, segundo os cálculos se referem à última ceia.

Na tradição moderna a páscoa é marcada pela troca de ovos de chocolate. Alguns historiadores sugerem que muitos dos atuais símbolos ligados à Páscoa, como os ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelhinho da páscoa são vestígios culturais da festividade de primavera em honra de Eostre que, posteriormente foram aprendidas pelas celebrações cristãs, depois da cristianização dos pagãos germânicos.

Um ritual adaptado pela Igreja Católica no começo do 1o milênio depois de Cristo que fundiu com a festa da Páscoa, ocorreu no equinócio da primavera, quando os participantes pintavam e decoravam ovos e os escondiam, enterrando-os em tocas nos campos.

Questão Christie

William Christie em charge que o coloca no centro da crise diplomática entre Brasil e Inglaterra.
Ao longo do século XIX, as relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra passaram por altos e baixos. No começo desse século, visando consolidar seus interesses econômicos, a Coroa Britânica reconheceu a independência da nação brasileira em troca do controle do seu mercado consumidor de produtos industrializados e a contração de vários empréstimos aos cofres públicos. Contudo, essa relação de dependência que parecia se aprofundar com o passar do tempo sofreu um abalo na década de 1860.

Nesse período, os ingleses pressionavam politicamente o Brasil para que o uso do trabalho escravo fosse abolido do país. Por meio de tal medida esperavam ampliar seu marcado consumidor no território nacional com a criação de uma novíssima parcela de trabalhadores assalariados. Além disso, a expansão do capitalismo industrial para outras nações do mundo, estabeleceu novas parceiras comerciais que enfraqueciam a hegemonia econômica inglesa instituída nesse período.

A tensão entre os interesses britânicos e brasileiros aumentou quando o embaixador William Dougal Christie denunciou o não cumprimento da Lei Regencial de 1831, que garantia a liberdade de todos os escravos que chegassem ao Brasil a partir daquele ano. A ação tomada pelo estadista britânico causou um grande mal estar entre as elites brasileiras, que não abriam mão da utilização dos escravos. Coincidentemente, no ano seguinte à denúncia, outro incidente abalou a já desgastada relação política.

Em abril de 1861, uma embarcação britânica encalhou nas proximidades da província do Rio Grande do Sul. Nessa tragédia, um grupo de sobreviventes acabou se salvando e tratou de relatar às autoridades brasileiras sob as condições adversas da embarcação inglesa. Contudo, ao invés de prestar ajuda aos ingleses, o governo imperial acabou ignorando o problema e deixou que a embarcação fosse saqueada por alguns moradores da região.

Inconformados com o episódio, os marinheiros britânicos recorreram à ajuda do embaixador inglês, que exigiu uma multa a ser paga pelo Estado Brasileiro. Em meio à tensão política já instalada entre os dois países, o imperador Dom Pedro II não concordou com as exigências britânicas e, dessa forma, não cumpriu com o pedido do diplomata inglês. No ano seguinte, a situação piorou com a prisão de três marinheiros ingleses que promoviam arruaças na cidade do Rio de Janeiro.

Mesmo após a soltura dos oficiais britânicos, o embaixador Christie insistia na indenização do navio saqueado, a demissão dos policiais brasileiros envolvidos no caso e um pedido de desculpas oficial. Mais uma vez, o governo brasileiro se negou a atender as exigências inglesas. No ano de 1863, buscando retaliar as ações brasileiras, uma esquadra britânica realizou a prisão de um conjunto de embarcações brasileiras que estavam em alto-mar.

Inconformado com as ações da diplomacia britânica, o imperador Dom Pedro II decidiu romper relações diplomáticas com a Inglaterra. Mediante o problema, o governo brasileiro requereu a intermediação do rei Leopoldo II da Bélgica. Após avaliar toda a situação, o monarca decidiu dar ganho de causa ao governo brasileiro. Contudo, somente com a deflagração da Guerra do Paraguai, no ano de 1865, Brasil e Inglaterra reataram suas relações.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Civilização do açúcar

Antes de ter sido um país identificado com o café, o Brasil assinalou sua presença na economia mundial pela produção de açúcar. Tanto assim que palavras como "melaço" e "mascavo" ou "mascavado", mesmo que transmudadas em formas anglicizadas (molasses, muscovado), logo se tornaram correntes no vocabulário do comércio internacional.

Entende-se por ciclo do açúcar a fase da história do Brasil marcada pela produção de açúcar nos engenhos nordestinos. Começou pouco depois da descoberta e acarretou profundas conseqüências sociológicas e culturais, até o século XVIII. As formas de vida social, política e cultural decorrentes da economia açucareira no Nordeste constituíram matéria de numerosos estudos, depois do livro pioneiro de Gilberto Freire, Casa grande & senzala (1933).

Origens

Durante a Idade Média, as poucas quantidades de açúcar consumidas na Europa procediam do Oriente, de onde é nativa a cana-de-açúcar, sendo o comércio desse artigo monopolizado por Veneza. Em meados do século XV a cana foi introduzida pelos portugueses na ilha da Madeira e pelos espanhóis nas Canárias. Seu cultivo prosperou tanto que o açúcar das novas possessões ibéricas passou a chegar à Europa a preços muito baixos, popularizando o consumo de um produto que até então se limitara às moradias dos ricos, aos hospitais e aos boticários, que o utilizavam apenas como base de preparados farmacêuticos.

Estimulados pelos bons frutos colhidos com a concorrência à república veneziana, os portugueses trouxeram para o Brasil, logo depois da descoberta, as primeiras mudas de cana. Da capitania da qual se originaria São Paulo, a de São Vicente, por onde a planta entrou na colônia e onde se estabeleceram os primitivos engenhos, a cana-de-açúcar se irradiou sem demora por todo o litoral brasileiro.

Implantação dos engenhos

O primeiro engenho de açúcar de que se tem notícia no Brasil foi instalado em São Paulo por volta de 1532. Três anos mais tarde já havia alguns outros funcionando em Pernambuco, onde iriam assumir extraordinária importância. Depois de 1550 começou a produção de açúcar na Bahia, cujos primeiros engenhos foram destruídos pelos índios. Na ilha de Itamaracá PE, em 1565, a produção já era florescente, e na década seguinte foram instalados os primeiros engenhos de Alagoas. Nessa mesma época, grande parte das várzeas e morros pouco a pouco ocupados pela cidade do Rio de Janeiro constituía um vastíssimo canavial que alimentava no mínimo 12 grandes engenhos.

No final do século XVI, o Brasil já se convertera no maior produtor e fornecedor mundial de açúcar, com um artigo de melhor qualidade que o procedente da Índia e uma produção anual estimada em seis mil toneladas, cerca de noventa por cento das quais eram exportadas para Portugal e distribuídas na Europa.
Ao açúcar fabricado no Brasil abriram-se mercados grandemente vantajosos. Sabe-se que antes de 1500 os europeus, em geral, só adoçavam seus alimentos e bebidas com um pouco de mel. Compreende-se assim que, ao revolucionar com o açúcar o sistema europeu de alimentação, o Brasil recém-descoberto tenha assegurado aos portugueses rendimentos mais regulares ou estáveis que as riquezas do Oriente. Também se compreende que a atenção dos portugueses, a princípio concentrada no Oriente, se voltasse para o Brasil. Por isso, as áreas brasileiras mais favoráveis ao cultivo da cana foram, quase de súbito, alteradas em sua configuração e paisagem pela presença de famílias patriarcais, vindas de Portugal com capitais suficientes para se estabelecerem feudalmente.

A escolha do produto tropical não fora casual. Contava a seu favor a experiência dos colonos portugueses com o cultivo da cana e a manufatura do açúcar na Madeira e outras ilhas do litoral africano. Da Madeira, de fato, a produção de açúcar passara ao arquipélago dos Açores, ao de Cabo Verde e à ilha de São Tomé. Essa experiência anterior teve enorme importância para a implantação de engenhos no Brasil, pois familiarizou os portugueses com os problemas técnicos ligados à lavoura da cana e ao fabrico do açúcar, motivando em Portugal, ao mesmo tempo, a invenção e o aperfeiçoamento de mecanismos para os engenhos.

A primeira grande inovação tecnológica na indústria brasileira do açúcar só iria ocorrer nos primeiros anos do século XVII. Nos melhores engenhos, a cana era até então espremida entre dois cilindros horizontais de madeira, movidos a tração animal ou por roda-d’água. Para uma segunda espremedura, com a qual se obtinha mais caldo, usavam-se também pilões, nós e monjolos. O novo tipo de engenho adotado compunha-se de três cilindros verticais muito justos, cabendo ao primeiro, movido por roda-d’água ou almanjarra, fazer girar os outros dois. Em caldeiras e tachos, o caldo era a seguir fervido para engrossar, posto em formas de barro e levado à casa de purgar para ser alvejado. A nova técnica se difundiu por todo o Brasil, com os engenhos mais eficientes substituindo os antigos.

Progressão das lavouras. Foi sobretudo nas zonas de clima quente do litoral do Nordeste e do Recôncavo baiano que os efeitos do plantio da cana se tornaram mais evidentes. Processou-se ali a primeira transformação mais extensiva da paisagem natural, com o desbravamento das matas e sua substituição por grandes canaviais que penetraram ao longo dos vales e subiram pelas encostas dos morros. Os cursos dos rios perenes favoreceram a atuação dos engenhos, como vias de escoamento da produção açucareira até os portos de embarque situados na costa.

Com o incremento da produção, multiplicaram-se os bangüês e as grandes moradias rurais dos senhores da nova riqueza agrária. Para manter essa riqueza, instalou-se uma corrente contínua de transplantação de escravos africanos, alojados nas senzalas, símbolos de uma era tenebrosa da agricultura brasileira.

A princípio, as superfícies cultivadas com cana distribuíam-se em quinhões chamados "partidos", ora obtidos por compra, ora por ocupação desordenada. Plantavam-se ainda as "terras de sobejo", ou as que eram acrescentadas por fraude, nas medições, às áreas legalmente vendidas. Além dos escravos, com o tempo também lavradores livres passaram a trabalhar em terras que pertenciam aos engenhos. Alguns mantinham seus canaviais em áreas arrendadas; outros plantavam não só cana, como ainda pequenas roças de subsistência, constituídas principalmente por milho, mandioca e feijão. Em geral, os lavradores livres serviam-se dos engenhos a que estavam agregados para fazer açúcar, em troca de uma parte da produção. Todos eles formavam, na verdade, uma clientela de importância vital, pois só com o concurso das lavouras subsidiárias ou dependentes muitos engenhos podiam manter-se em atividade ininterrupta durante os meses da safra.

Em sua grande maioria, os que se dedicavam às lavouras de subsistência vegetavam à sombra da tolerância dos senhores de engenho, que desse modo contavam com recursos para o abastecimento de suas próprias famílias. Sobre os vastos conjuntos de agregados os senhores exerciam uma autoridade que variava conforme o sistema de trabalho ou a forma de ocupação da terra. A condição do pessoal dos engenhos, por conseguinte, sujeitava-se a variações jurídicas, econômicas e sociais, escalonadas desde a dos negros escravos até a dos lavradores dos "partidos", que moíam "cana livre". Entre os dois extremos, situavam-se os lavradores livres como pessoas, contudo dependentes da propriedade senhorial das terras, que eram obrigados à moenda e cujas colheitas passaram significativamente a ser rotuladas como "cana cativa".

Aspectos sociológicos: a casa-grande. Com seu complexo esquema de funcionamento, o engenho de açúcar foi a forma de exploração agrária que melhor assumiu, no Brasil colonial, as características básicas da grande lavoura. Isso porque, além dos trabalhos de cultivo do solo, o engenho requeria toda uma série de operações exaustivas, com aparelhamento de obtenção difícil e mão-de-obra abundante.

Com seus vários prédios para moradia e instalações fabris -- a casa da moenda, a das fornalhas, a dos cobres e a de purgar, além de galpões para estocar o produto --, o engenho constituía um pequeno aglomerado humano: um núcleo de população. De início, ocupava apenas uma clareira na floresta, onde se amontoavam as construções de adobe e cal. Com a progressiva expansão das lavouras pelas áreas em torno, a clareira primordial se converteu não raro num esboço de aldeia, mas muitos dados sociológicos básicos já haviam sido definidos naquele mundo fechado sob o poder dos senhores.

A casa-grande, residência do senhor de engenho, assobradada ou térrea e sempre bem imponente, constituía o centro de irradiação de toda a atividade econômica e social da propriedade. A casa-grande se completava com a capela, onde as pessoas da comunidade, aos domingos e dias santificados, reuniam-se para as cerimônias religiosas. Próximo se erguia a senzala, habitação dos escravos, classificados como "peças", que se contavam às centenas nos maiores engenhos. Os rios, vias de escoamento do açúcar, eram também com freqüência as únicas estradas de acesso: por eles vinham as toras que alimentavam as fornalhas do engenho e os gêneros e artigos manufaturados adquiridos alhures, como tecidos e louças, ferramentas e pregos, papel e tinta, barris de vinho ou de azeite.

A casa-grande, a senzala, a capela e as casas destinadas ao fabrico do açúcar definiam o quadrilátero que dava a um típico engenho sua conformação mais comum. Outras construções, em número variável, podiam servir de residência ao capelão, ao mestre de açúcar, aos feitores e aos poucos trabalhadores livres que se ligavam às atividades do engenho por seus ofícios, como barqueiros, carpinteiros, pedreiros, carreiros ou calafates.

Na maior parte do território brasileiro, ao que parece, predominaram os pequenos engenhos, com reduzido número de escravos e movidos pela força animal. Contudo, no final do século XVIII considerava-se indispensável um mínimo de quarenta escravos para que um engenho pudesse moer "redondamente" durante as 24 horas do dia. Na mesma época, grandes engenhos da capitania do Rio de Janeiro mantinham sob a chibata várias centenas de escravos, como o da Ordem de São Bento, que chegou a ter 432.

Autoria: Julieth

Civilização do açúcar

Antes de ter sido um país identificado com o café, o Brasil assinalou sua presença na economia mundial pela produção de açúcar. Tanto assim que palavras como "melaço" e "mascavo" ou "mascavado", mesmo que transmudadas em formas anglicizadas (molasses, muscovado), logo se tornaram correntes no vocabulário do comércio internacional.

Entende-se por ciclo do açúcar a fase da história do Brasil marcada pela produção de açúcar nos engenhos nordestinos. Começou pouco depois da descoberta e acarretou profundas conseqüências sociológicas e culturais, até o século XVIII. As formas de vida social, política e cultural decorrentes da economia açucareira no Nordeste constituíram matéria de numerosos estudos, depois do livro pioneiro de Gilberto Freire, Casa grande & senzala (1933).

Origens

Durante a Idade Média, as poucas quantidades de açúcar consumidas na Europa procediam do Oriente, de onde é nativa a cana-de-açúcar, sendo o comércio desse artigo monopolizado por Veneza. Em meados do século XV a cana foi introduzida pelos portugueses na ilha da Madeira e pelos espanhóis nas Canárias. Seu cultivo prosperou tanto que o açúcar das novas possessões ibéricas passou a chegar à Europa a preços muito baixos, popularizando o consumo de um produto que até então se limitara às moradias dos ricos, aos hospitais e aos boticários, que o utilizavam apenas como base de preparados farmacêuticos.

Estimulados pelos bons frutos colhidos com a concorrência à república veneziana, os portugueses trouxeram para o Brasil, logo depois da descoberta, as primeiras mudas de cana. Da capitania da qual se originaria São Paulo, a de São Vicente, por onde a planta entrou na colônia e onde se estabeleceram os primitivos engenhos, a cana-de-açúcar se irradiou sem demora por todo o litoral brasileiro.

Implantação dos engenhos

O primeiro engenho de açúcar de que se tem notícia no Brasil foi instalado em São Paulo por volta de 1532. Três anos mais tarde já havia alguns outros funcionando em Pernambuco, onde iriam assumir extraordinária importância. Depois de 1550 começou a produção de açúcar na Bahia, cujos primeiros engenhos foram destruídos pelos índios. Na ilha de Itamaracá PE, em 1565, a produção já era florescente, e na década seguinte foram instalados os primeiros engenhos de Alagoas. Nessa mesma época, grande parte das várzeas e morros pouco a pouco ocupados pela cidade do Rio de Janeiro constituía um vastíssimo canavial que alimentava no mínimo 12 grandes engenhos.

No final do século XVI, o Brasil já se convertera no maior produtor e fornecedor mundial de açúcar, com um artigo de melhor qualidade que o procedente da Índia e uma produção anual estimada em seis mil toneladas, cerca de noventa por cento das quais eram exportadas para Portugal e distribuídas na Europa.
Ao açúcar fabricado no Brasil abriram-se mercados grandemente vantajosos. Sabe-se que antes de 1500 os europeus, em geral, só adoçavam seus alimentos e bebidas com um pouco de mel. Compreende-se assim que, ao revolucionar com o açúcar o sistema europeu de alimentação, o Brasil recém-descoberto tenha assegurado aos portugueses rendimentos mais regulares ou estáveis que as riquezas do Oriente. Também se compreende que a atenção dos portugueses, a princípio concentrada no Oriente, se voltasse para o Brasil. Por isso, as áreas brasileiras mais favoráveis ao cultivo da cana foram, quase de súbito, alteradas em sua configuração e paisagem pela presença de famílias patriarcais, vindas de Portugal com capitais suficientes para se estabelecerem feudalmente.

A escolha do produto tropical não fora casual. Contava a seu favor a experiência dos colonos portugueses com o cultivo da cana e a manufatura do açúcar na Madeira e outras ilhas do litoral africano. Da Madeira, de fato, a produção de açúcar passara ao arquipélago dos Açores, ao de Cabo Verde e à ilha de São Tomé. Essa experiência anterior teve enorme importância para a implantação de engenhos no Brasil, pois familiarizou os portugueses com os problemas técnicos ligados à lavoura da cana e ao fabrico do açúcar, motivando em Portugal, ao mesmo tempo, a invenção e o aperfeiçoamento de mecanismos para os engenhos.

A primeira grande inovação tecnológica na indústria brasileira do açúcar só iria ocorrer nos primeiros anos do século XVII. Nos melhores engenhos, a cana era até então espremida entre dois cilindros horizontais de madeira, movidos a tração animal ou por roda-d’água. Para uma segunda espremedura, com a qual se obtinha mais caldo, usavam-se também pilões, nós e monjolos. O novo tipo de engenho adotado compunha-se de três cilindros verticais muito justos, cabendo ao primeiro, movido por roda-d’água ou almanjarra, fazer girar os outros dois. Em caldeiras e tachos, o caldo era a seguir fervido para engrossar, posto em formas de barro e levado à casa de purgar para ser alvejado. A nova técnica se difundiu por todo o Brasil, com os engenhos mais eficientes substituindo os antigos.

Progressão das lavouras. Foi sobretudo nas zonas de clima quente do litoral do Nordeste e do Recôncavo baiano que os efeitos do plantio da cana se tornaram mais evidentes. Processou-se ali a primeira transformação mais extensiva da paisagem natural, com o desbravamento das matas e sua substituição por grandes canaviais que penetraram ao longo dos vales e subiram pelas encostas dos morros. Os cursos dos rios perenes favoreceram a atuação dos engenhos, como vias de escoamento da produção açucareira até os portos de embarque situados na costa.

Com o incremento da produção, multiplicaram-se os bangüês e as grandes moradias rurais dos senhores da nova riqueza agrária. Para manter essa riqueza, instalou-se uma corrente contínua de transplantação de escravos africanos, alojados nas senzalas, símbolos de uma era tenebrosa da agricultura brasileira.

A princípio, as superfícies cultivadas com cana distribuíam-se em quinhões chamados "partidos", ora obtidos por compra, ora por ocupação desordenada. Plantavam-se ainda as "terras de sobejo", ou as que eram acrescentadas por fraude, nas medições, às áreas legalmente vendidas. Além dos escravos, com o tempo também lavradores livres passaram a trabalhar em terras que pertenciam aos engenhos. Alguns mantinham seus canaviais em áreas arrendadas; outros plantavam não só cana, como ainda pequenas roças de subsistência, constituídas principalmente por milho, mandioca e feijão. Em geral, os lavradores livres serviam-se dos engenhos a que estavam agregados para fazer açúcar, em troca de uma parte da produção. Todos eles formavam, na verdade, uma clientela de importância vital, pois só com o concurso das lavouras subsidiárias ou dependentes muitos engenhos podiam manter-se em atividade ininterrupta durante os meses da safra.

Em sua grande maioria, os que se dedicavam às lavouras de subsistência vegetavam à sombra da tolerância dos senhores de engenho, que desse modo contavam com recursos para o abastecimento de suas próprias famílias. Sobre os vastos conjuntos de agregados os senhores exerciam uma autoridade que variava conforme o sistema de trabalho ou a forma de ocupação da terra. A condição do pessoal dos engenhos, por conseguinte, sujeitava-se a variações jurídicas, econômicas e sociais, escalonadas desde a dos negros escravos até a dos lavradores dos "partidos", que moíam "cana livre". Entre os dois extremos, situavam-se os lavradores livres como pessoas, contudo dependentes da propriedade senhorial das terras, que eram obrigados à moenda e cujas colheitas passaram significativamente a ser rotuladas como "cana cativa".

Aspectos sociológicos: a casa-grande. Com seu complexo esquema de funcionamento, o engenho de açúcar foi a forma de exploração agrária que melhor assumiu, no Brasil colonial, as características básicas da grande lavoura. Isso porque, além dos trabalhos de cultivo do solo, o engenho requeria toda uma série de operações exaustivas, com aparelhamento de obtenção difícil e mão-de-obra abundante.

Com seus vários prédios para moradia e instalações fabris -- a casa da moenda, a das fornalhas, a dos cobres e a de purgar, além de galpões para estocar o produto --, o engenho constituía um pequeno aglomerado humano: um núcleo de população. De início, ocupava apenas uma clareira na floresta, onde se amontoavam as construções de adobe e cal. Com a progressiva expansão das lavouras pelas áreas em torno, a clareira primordial se converteu não raro num esboço de aldeia, mas muitos dados sociológicos básicos já haviam sido definidos naquele mundo fechado sob o poder dos senhores.

A casa-grande, residência do senhor de engenho, assobradada ou térrea e sempre bem imponente, constituía o centro de irradiação de toda a atividade econômica e social da propriedade. A casa-grande se completava com a capela, onde as pessoas da comunidade, aos domingos e dias santificados, reuniam-se para as cerimônias religiosas. Próximo se erguia a senzala, habitação dos escravos, classificados como "peças", que se contavam às centenas nos maiores engenhos. Os rios, vias de escoamento do açúcar, eram também com freqüência as únicas estradas de acesso: por eles vinham as toras que alimentavam as fornalhas do engenho e os gêneros e artigos manufaturados adquiridos alhures, como tecidos e louças, ferramentas e pregos, papel e tinta, barris de vinho ou de azeite.

A casa-grande, a senzala, a capela e as casas destinadas ao fabrico do açúcar definiam o quadrilátero que dava a um típico engenho sua conformação mais comum. Outras construções, em número variável, podiam servir de residência ao capelão, ao mestre de açúcar, aos feitores e aos poucos trabalhadores livres que se ligavam às atividades do engenho por seus ofícios, como barqueiros, carpinteiros, pedreiros, carreiros ou calafates.

Na maior parte do território brasileiro, ao que parece, predominaram os pequenos engenhos, com reduzido número de escravos e movidos pela força animal. Contudo, no final do século XVIII considerava-se indispensável um mínimo de quarenta escravos para que um engenho pudesse moer "redondamente" durante as 24 horas do dia. Na mesma época, grandes engenhos da capitania do Rio de Janeiro mantinham sob a chibata várias centenas de escravos, como o da Ordem de São Bento, que chegou a ter 432.

Autoria: Julieth

A Formação das Monarquias Nacionais

Monarquias Nacionais da França

A história política da Baixa Idade Média está ligada à evolução das monarquias francesa, inglesa e alemã, bem como às relações entre elas e o Papado.

Na França, os reis da Dinastia dos Capetíngios, que ascendera ao trono em 987, a princípio não impuseram uma autoridade forte sobre seus vassalos. Em 1066, um grande senhor francês, Guilherme, o Conquistador, duque da Normandia, apoderou-se da coroa da Inglaterra, depois de vencer o rei anglo-saxão Haroldo II. Esse acontecimento criou um paradoxo dentro da hierarquia feudal. Como rei da Inglaterra, Guilherme tornou-se suserano dos senhores ingleses. Mas, na qualidade de duque da Normandia, .continuava a ser vassalo do rei da França.

A situação ficou ainda mais complicada com a ascensão ao trono inglês de Henrique II, um parente de Guilherme que era o maior senhor feudal da França.

O fortalecimento da autoridade real e a reação contra o poder inglês na França começaram com Felipe Augusto (1180-1223). Esse soberano incorporou aos domínios reais (territórios sob a autoridade direta do rei, sem a interposição de senhores feudais) grande parte dos feudos franceses possuídos pelos reis da Inglaterra. Essas anexações foram consolidadas pela Batalha de Bouvines (1214), na qual Felipe Augusto obteve uma vitória decisiva sobre o rei inglês João Sem Terra e seu aliado, o imperador germânico Oto IV.

Felipe Augusto realizou uma importante obra administrativa e criou os bailios reais — funcionários que cobravam impostos e distribuíam a justiça. Aliás, o termo bailio já era aplicado, em certas regiões da Europa, aos agentes dos senhores feudais que exerciam aquelas funções.

Luís IX (1226-1270), mais tarde canonizado, organizou a justiça real e instituiu o direito de apelação ao tribunal do rei, por parte daqueles que fossem condenados em um tribunal feudal. Felipe IV, o Belo (1285-1314), continuou a expandir os domínios reais e reforçou suas finanças ao confiscar os bens da ordem religiosa e militar dos Templários.

Seguindo conselhos de seus legistas (especialistas em leis que teorizavam sobre o poder e os direitos reais), Felipe entrou em choque com o Papado, opondo-se à supremacia do poder espiritual sobre o temporal. Excomungado pelo papa Bonifácio VIII, mandou tropas à Itália para prendê-lo. Após a morte de Bonifácio, os cardeais elegeram Clemente V, um papa francês ligado a Felipe e que, em 1309, mudou a sede do Papado para a cidade francesa de Avignon — situação que perduraria até 1378 e ficaria conhecida pelo nome de Cativeiro de Avignon.

Os filhos de Felipe, o Belo, se sucederam no trono até 1328, sem deixar herdeiros varões. Quando o último deles faleceu, a coroa passou para um sobrinho de Felipe, o Belo, que iniciou a Dinastia de Valois com o nome de Felipe VI.

Monarquias Nacionais da Inglaterra

Henrique II (1154-1189) governou com mão forte, impondo-se aos barões (designação genérica dos grandes senhores ingleses; nos outros países, o título de barão fazia parte da pequena nobreza, situando-se abaixo de visconde e acima de cavaleiro). Tentou controlar a Igreja na Inglaterra, procurando submetê-la aos tribunais reais; mas encontrou a firme oposição do arcebispo de Canterbury, Thomas Becket, que por isso foi assassinado. O papa reagiu lançando um interdito sobre a Inglaterra e Henrique recuou, humilhando-se em uma cerimônia pública diante do túmulo de Becket.

Ricardo Coração de Leão (1189-1199) preocupou-se mais com a Terceira Cruzada do que com as questões político-administrativas. Foi sucedido por seu irmão João Sem Terra (1199-1216), um governante inábil, cuja tentativa de dispor dos cargos eclesiásticos na Inglaterra fracassou. Entrou em choque com o papa Inocêncio III, que o excomungou e transferiu a coroa inglesa para o rei da França, Felipe Augusto. Quando Felipe se aprestava para invadir a Inglaterra, João Sem Terra submeteu-se ao pontífice.

A essa altura, Felipe Augusto já anexara a seus domínios vários feudos que os reis ingleses possuíam na França. Depois da Batalha de Bouvines, os barões ingleses se revoltaram e impuseram a João Sem Terra a Magna Carta (1215). Este documento importantíssimo assegurava aos senhores leigos e eclesiásticos diversos direitos, entre os quais sobressaíam dois: o rei ficava proibido de criar impostos e taxas, sem o consentimento do Grande Conselho do Reino (órgão formado por bispos e barões), e os nobres acusados de crimes seriam julgados por um júri de seus iguais.

O filho de João Sem Terra, Henrique III (1216-1272), recusou-se a respeitar a Magna Carta. Bispos e barões mais uma vez se rebelaram e o Grande Conselho do Reino, agora chamado de Parlamento, impôs ao rei as Provisões de Oxford (1258), que na prática colocavam o governo nas mãos da nobreza.

Anos depois, Henrique III tentou recuperar seu poder, mas foi vencido e caiu prisioneiro. Simon de Montfort (nobre anglo-francês, filho do vencedor dos hereges albigenses), líder dos barões, convocou então o Grande Parlamento (1265). Participavam dessa assembléia os prelados e barões e também, pela primeira vez, dois cavaleiros (membros da pequena nobreza) por condado e ainda representantes da burguesia. Esse foi o primeiro Parlamento com caráter verdadeiramente nacional que se reuniu na Inglaterra.

O Parlamento passou então a ser uma instituição convocada regularmente. Em 1350, ele se tornou bicameral, dividindo-se em Câmara dos Lordes, formada pelos membros do alto clero e da alta nobreza, e Câmara dos Comuns. A primeira era vitalícia e hereditária (exceto no caso dos bispos, por serem obrigados ao celibato clerical). Já a segunda, composta de cavaleiros e burgueses, era eletiva e seus membros tinham um mandato temporário. Começando como uma assembléia fiscalizadora e controladora do poder real, o Parlamento iria se transformar no órgão legislativo da Inglaterra.

Dessa forma, enquanto a França caminhava em direção ao absolutismo, a Inglaterra tendia a ser uma monarquia limitada, que no século XVIII se tornaria parlamentarista.

A evolução do Sacro Império

Estreitamente ligado ao Papado desde sua fundação, o Sacro Império Romano-Germânico exerceu uma certa tutela sobre os papas até à Questão das Investiduras. Depois que a Concordata de Worms (1122) encerrou o confronto, com vantagem para a autoridade papal, os conflitos entre o Império e o Papado passaram a girar em torno das pretensões de ambos ao domínio da Itália. Nesse novo contexto, o imperador que mais se empenhou contra a política papal foi Frederico II (1215-50).

Frederico, que reunia os títulos de imperador da Alemanha, rei de Nápoles, da Sicília e também de Jerusalém (este último, adquirido durante a Sexta Cruzada e apenas honorifico), pretendia restabelecer o controle imperial sobre os centros urbanos do Norte da Itália, que se haviam tornado praticamente independentes. Para conservar sua liberdade, essas cidades formaram contra Frederico a Liga Lombarda, apoiada pelo Papado. Outras, porém, temiam mais o poder papal que o imperial e se posicionaram a favor do monarca alemão. As comunidades ligadas ao papa contra o imperador formaram o partido dos güelfos, enquanto seus adversários ficaram conhecidos pelo nome de gibelinos.

A luta entre os dois grupos impediu que se implantasse uma autoridade forte na Itália e propiciou a multiplicação de pequenos Estados, às vezes não maiores que uma cidade.

Frederico II foi o último grande imperador da Dinastia de Hohenstaufen. Quando essa família se extinguiu, em 1268, o Sacro Império voltou a ser eletivo. Imperadores de famílias variadas sucederam-se no trono até 1437, quando os príncipes eleitores passaram a escolher exclusivamente membros da Dinastia de Habsburgo, originária da Áustria.

A Formação das Monarquias Nacionais

Monarquias Nacionais da França

A história política da Baixa Idade Média está ligada à evolução das monarquias francesa, inglesa e alemã, bem como às relações entre elas e o Papado.

Na França, os reis da Dinastia dos Capetíngios, que ascendera ao trono em 987, a princípio não impuseram uma autoridade forte sobre seus vassalos. Em 1066, um grande senhor francês, Guilherme, o Conquistador, duque da Normandia, apoderou-se da coroa da Inglaterra, depois de vencer o rei anglo-saxão Haroldo II. Esse acontecimento criou um paradoxo dentro da hierarquia feudal. Como rei da Inglaterra, Guilherme tornou-se suserano dos senhores ingleses. Mas, na qualidade de duque da Normandia, .continuava a ser vassalo do rei da França.

A situação ficou ainda mais complicada com a ascensão ao trono inglês de Henrique II, um parente de Guilherme que era o maior senhor feudal da França.

O fortalecimento da autoridade real e a reação contra o poder inglês na França começaram com Felipe Augusto (1180-1223). Esse soberano incorporou aos domínios reais (territórios sob a autoridade direta do rei, sem a interposição de senhores feudais) grande parte dos feudos franceses possuídos pelos reis da Inglaterra. Essas anexações foram consolidadas pela Batalha de Bouvines (1214), na qual Felipe Augusto obteve uma vitória decisiva sobre o rei inglês João Sem Terra e seu aliado, o imperador germânico Oto IV.

Felipe Augusto realizou uma importante obra administrativa e criou os bailios reais — funcionários que cobravam impostos e distribuíam a justiça. Aliás, o termo bailio já era aplicado, em certas regiões da Europa, aos agentes dos senhores feudais que exerciam aquelas funções.

Luís IX (1226-1270), mais tarde canonizado, organizou a justiça real e instituiu o direito de apelação ao tribunal do rei, por parte daqueles que fossem condenados em um tribunal feudal. Felipe IV, o Belo (1285-1314), continuou a expandir os domínios reais e reforçou suas finanças ao confiscar os bens da ordem religiosa e militar dos Templários.

Seguindo conselhos de seus legistas (especialistas em leis que teorizavam sobre o poder e os direitos reais), Felipe entrou em choque com o Papado, opondo-se à supremacia do poder espiritual sobre o temporal. Excomungado pelo papa Bonifácio VIII, mandou tropas à Itália para prendê-lo. Após a morte de Bonifácio, os cardeais elegeram Clemente V, um papa francês ligado a Felipe e que, em 1309, mudou a sede do Papado para a cidade francesa de Avignon — situação que perduraria até 1378 e ficaria conhecida pelo nome de Cativeiro de Avignon.

Os filhos de Felipe, o Belo, se sucederam no trono até 1328, sem deixar herdeiros varões. Quando o último deles faleceu, a coroa passou para um sobrinho de Felipe, o Belo, que iniciou a Dinastia de Valois com o nome de Felipe VI.

Monarquias Nacionais da Inglaterra

Henrique II (1154-1189) governou com mão forte, impondo-se aos barões (designação genérica dos grandes senhores ingleses; nos outros países, o título de barão fazia parte da pequena nobreza, situando-se abaixo de visconde e acima de cavaleiro). Tentou controlar a Igreja na Inglaterra, procurando submetê-la aos tribunais reais; mas encontrou a firme oposição do arcebispo de Canterbury, Thomas Becket, que por isso foi assassinado. O papa reagiu lançando um interdito sobre a Inglaterra e Henrique recuou, humilhando-se em uma cerimônia pública diante do túmulo de Becket.

Ricardo Coração de Leão (1189-1199) preocupou-se mais com a Terceira Cruzada do que com as questões político-administrativas. Foi sucedido por seu irmão João Sem Terra (1199-1216), um governante inábil, cuja tentativa de dispor dos cargos eclesiásticos na Inglaterra fracassou. Entrou em choque com o papa Inocêncio III, que o excomungou e transferiu a coroa inglesa para o rei da França, Felipe Augusto. Quando Felipe se aprestava para invadir a Inglaterra, João Sem Terra submeteu-se ao pontífice.

A essa altura, Felipe Augusto já anexara a seus domínios vários feudos que os reis ingleses possuíam na França. Depois da Batalha de Bouvines, os barões ingleses se revoltaram e impuseram a João Sem Terra a Magna Carta (1215). Este documento importantíssimo assegurava aos senhores leigos e eclesiásticos diversos direitos, entre os quais sobressaíam dois: o rei ficava proibido de criar impostos e taxas, sem o consentimento do Grande Conselho do Reino (órgão formado por bispos e barões), e os nobres acusados de crimes seriam julgados por um júri de seus iguais.

O filho de João Sem Terra, Henrique III (1216-1272), recusou-se a respeitar a Magna Carta. Bispos e barões mais uma vez se rebelaram e o Grande Conselho do Reino, agora chamado de Parlamento, impôs ao rei as Provisões de Oxford (1258), que na prática colocavam o governo nas mãos da nobreza.

Anos depois, Henrique III tentou recuperar seu poder, mas foi vencido e caiu prisioneiro. Simon de Montfort (nobre anglo-francês, filho do vencedor dos hereges albigenses), líder dos barões, convocou então o Grande Parlamento (1265). Participavam dessa assembléia os prelados e barões e também, pela primeira vez, dois cavaleiros (membros da pequena nobreza) por condado e ainda representantes da burguesia. Esse foi o primeiro Parlamento com caráter verdadeiramente nacional que se reuniu na Inglaterra.

O Parlamento passou então a ser uma instituição convocada regularmente. Em 1350, ele se tornou bicameral, dividindo-se em Câmara dos Lordes, formada pelos membros do alto clero e da alta nobreza, e Câmara dos Comuns. A primeira era vitalícia e hereditária (exceto no caso dos bispos, por serem obrigados ao celibato clerical). Já a segunda, composta de cavaleiros e burgueses, era eletiva e seus membros tinham um mandato temporário. Começando como uma assembléia fiscalizadora e controladora do poder real, o Parlamento iria se transformar no órgão legislativo da Inglaterra.

Dessa forma, enquanto a França caminhava em direção ao absolutismo, a Inglaterra tendia a ser uma monarquia limitada, que no século XVIII se tornaria parlamentarista.

A evolução do Sacro Império

Estreitamente ligado ao Papado desde sua fundação, o Sacro Império Romano-Germânico exerceu uma certa tutela sobre os papas até à Questão das Investiduras. Depois que a Concordata de Worms (1122) encerrou o confronto, com vantagem para a autoridade papal, os conflitos entre o Império e o Papado passaram a girar em torno das pretensões de ambos ao domínio da Itália. Nesse novo contexto, o imperador que mais se empenhou contra a política papal foi Frederico II (1215-50).

Frederico, que reunia os títulos de imperador da Alemanha, rei de Nápoles, da Sicília e também de Jerusalém (este último, adquirido durante a Sexta Cruzada e apenas honorifico), pretendia restabelecer o controle imperial sobre os centros urbanos do Norte da Itália, que se haviam tornado praticamente independentes. Para conservar sua liberdade, essas cidades formaram contra Frederico a Liga Lombarda, apoiada pelo Papado. Outras, porém, temiam mais o poder papal que o imperial e se posicionaram a favor do monarca alemão. As comunidades ligadas ao papa contra o imperador formaram o partido dos güelfos, enquanto seus adversários ficaram conhecidos pelo nome de gibelinos.

A luta entre os dois grupos impediu que se implantasse uma autoridade forte na Itália e propiciou a multiplicação de pequenos Estados, às vezes não maiores que uma cidade.

Frederico II foi o último grande imperador da Dinastia de Hohenstaufen. Quando essa família se extinguiu, em 1268, o Sacro Império voltou a ser eletivo. Imperadores de famílias variadas sucederam-se no trono até 1437, quando os príncipes eleitores passaram a escolher exclusivamente membros da Dinastia de Habsburgo, originária da Áustria.


A Guerra Santa liberou o comércio

No século XI, dentro do contexto histórico da expansão árabe, os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. Diante dessa situação, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096), com o objetivo de expulsar os "infiéis" (árabes) da Terra Santa. Essas batalhas, entre católicos e muçulmanos, duraram cerca de dois séculos, deixando milhares de mortos e um grande rastro de destruição. Ao mesmo tempo em que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de comércio. De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais.

O que foram as cruzadas naquele determinado momento? No momento em que o Papa Urbano chama os fiéis para as cruzadas, havia um interesse muito grande em terras. A nobreza já não tinha mais como dividir as terras. A Europa precisava de uma expansão. Ao mesmo tempo a Igreja precisava barrar o avanço do islamismo, pois ele avançava em passos largos sobre a Europa, pois já havia chegado à península Ibérica e tomado todo norte da África. Então, a idéia de você tomar a Terra Santa, onde Jesus nasceu e morreu, e que estava na mão de infiéis, explica o motivo religioso das cruzadas. Você tem um motivo religioso que é forte no momento das cruzadas. Mas existe também uma motivação econômica e uma motivação psicológica.

As cruzadas modificaram a Europa profundamente, trazendo novos elementos que mudaram a vida das populações européias daquela época. A economia modificou-se radicalmente. Deixou de apenas produzir alimentos; conheceu novos produtos, aprendeu novos métodos de trabalho; e enriqueceu com novas indústrias.

Politicamente, as cruzadas selaram a ruína do Sistema Feudal. Antes de partir os senhores penhoraram suas terras aos camponeses. A liberação desses ficou mais fácil. Além disso, houve grande quantidade de gente que foi e não voltou.

Com as cruzadas, muitos camponeses puderam deixar os domínios senhoriais. O campo perdeu população, e as velhas cidades receberam uma boa parte desses camponeses que deixaram os domínios senhoriais.

Engolindo a derrota sofrida, os cristãos tinham todos os motivos para odiar os árabes. Mas esta raiva sentida vinha junto com a admiração e a inveja sentida diante de um inimigo sofisticado, que possuía muitos conhecimentos que para os europeus eram desconhecidos.

As Cruzadas não alcançaram sua meta principal, que era garantir o domínio cristão de Jerusalém. Em compensação, o encontro entre as duas culturas fecundou a Europa. A maravilhosa porta do Oriente foi aberta e os árabes transmitiram uma porção de novidades aos ocidentais.

Imagine a sensação que um cruzado causava quando voltava para sua terra. Além de histórias sobre suas aventuras militares, trazia presentes sensacionais comprados de mercadores árabes. Produtos lindos, que vinham de lugares em que nenhum outro europeu jamais tinha pisado. Tapetes persas, pimentas, açúcar, cravo e canela da índia, porcelana chinesa, seda do Japão, tecidos, perfumes exóticos, pérolas...

Não é difícil concluir que essas cruzadas despertaram o comércio ativo entre europeus e os árabes. O Mar Mediterrâneo voltou a ser atravessado por navios abarrotados de mercadorias. Os lugares que mais cresceram com isso foram às cidades italianas, especialmente Gênova e Veneza. A espada dava lugar ao lucro. Só não se sabe qual arrancou mais sangue.

As cruzadas ajudaram a expandir as atividades comerciais, pelo menos por três motivos: os cruzados não eram os únicos a irem as expedições cruzadistas, os viajantes mercadores iam juntos, e assim serviam como abastecedores dos peregrinos com seus produtos.

Os cruzados voltavam para suas terras de origem com um gosto pelos novos luxos e confortos descobertos durante a viagem. As cidades italianas, principalmente Veneza e Gênova, ficaram imensamente ricas com o comércio desses produtos na Europa.

O grande desenvolvimento do comércio que as cruzadas propiciaram foi um dos fatores das profundas transformações que levaram do Modo de Produção Feudal ao Modo de Produção Capitalista na Europa durante os séculos seguintes; em outras palavras, aquelas grandes expedições de caráter primordialmente ou alegadamente religioso prepararam o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.

Em muitos outros aspectos as cruzadas foram um desastre! Os cruzados não conseguiram expulsar definitivamente os muçulmanos E isso durou por séculos, chegando até os nossos dias.

Texto escrito pela Professora Patrícia Barboza da Silva licenciada pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG.

Referencias Bibliográficas:

FERREIRA, José Roberto Martins, História. São Paulo: FTD; 1997.

MORAES, José Geraldo. Caminho das Civilizações. São Paulo: Atual. 1994.

Autoria: Patrícia Barboza da Silva

A Igreja e o Sacro Império

1. A organização eclesiástica

Durante a Alta Idade Média, o clero encontrava-se dividido em secular e regular. O clero secular era composto pelos presbíteros, diáconos, bispos, metropolitanos, patriarcas e papa. Chamava-se secular porque seus componentes viviam em contato com o saeculum, (mundo não- eclesiástico). Já o clero regular era composto pelos monges, seguidores de uma regra que pregava, essencial- mente, a castidade, a pobreza e a caridade. Esse clero propunha-se um comportamento mais espiritual e o afastamento das coisas mundanas, materiais.

O clero que primeiro se organizou foi o secular; o regular surgiu como reação àquele. Os primeiros monges apareceram no Império Romano por volta do século III. Mas foi São Bento de Núrsia que organizou no Monte Cassino (Itália) o primeiro mosteiro, que se propunha, além dos votos normais, a obediência, o trabalho produtivo e as orações. Era a regra beneditina. Por essa regra, os monges deveriam obedecer ao abade, chefe do mosteiro, escolhido pelos próprios monges.

No plano social, de uma maneira global, podemos dividir o clero em alto e baixo. O alto clero era composto por membros da nobreza feudal que se tomavam bispos ou abades. O baixo clero era de origem mais modesta, sendo constituído por padres e monges. Qualquer cristão podia ingressar no clero, exceto os servos, pois estes estavam presos à terra que cultivavam.

A regra de escolha dos abades pelos monges, e dos bispos pelos presbíteros não foi seguida durante a Idade Média. Os bispos eram investidos nas suas funções pelos condes, duques, reis e imperadores. Assim, os escolhidos nem sempre tinham a vida regulada, como conviria a um religioso. Eram na verdade senhores eclesiásticos que usufruíam dos rendimentos dos bispados e das abadias recebidas dos suseranos leigos como feudo, estando pois obrigados a cumprir os deveres normais de qualquer vassalo. Essa investidura leiga teve repercussões nocivas sobre o clero. Os bispos e abades tinham vida imoral para um religioso e influenciavam negativamente o clero inferior, levando os monges a se casarem ou terem amantes. Esse desregramento moral do clero é chamado nicolaísmo (porque Nicolau, um bispo, pregou o direito de casamento dos clérigos). Outro problema decorrente é a simonia, que consistia em negociar coisas sagradas — inclusive os cargos eclesiásticos.

Por volta do século X, começaram os movimentos de reação dentro da própria Igreja contra a investidura leiga, a simonia e o nicolaísmo, conduzindo à Querela das Investiduras (luta entre os imperadores germânicos e o Papado).

2. A cristianização da Europa

O processo de cristianização da Europa foi muito lento. Estendeu-se do século V ao XI. Dividiu-se em duas etapas: batismo e conversão. O batismo foi a fase inicial, na qual apenas os chefes das tribos germânicas eram batizados, considerando-se a cerimônia extensiva a seus comandados. O mais difícil foi converter, isto é, ensinar a doutrina (dogmas, moral e obrigações).

O papel do Papado nessa empresa religiosa foi enorme. Começou com o papa Gregório Magno (590-604), verdadeiro chefe político e religioso de Roma, dirigente supremo de toda a Cristandade. Gregório procurou reaproximar as Igrejas cristãs e os mosteiros espalhados pelo mundo ocidental e separados pelas invasões do século V. Estimulou a fé dos clérigos e a cultura religiosa, por meio de escritos como a Regra Pastoral. Compôs também hinos religiosos, o chamado canto gregoriano.

Gregório estimulou a conversão dos pagãos e dos cristãos pertencentes à seita ariana, isto é, adeptos da heresia de Ano, bispo que pregava ser Cristo uma criatura de natureza apenas humana.

Por seu estímulo, monges seguiram para a Britânia, onde os anglo-saxões foram convertidos, sob a liderança de Santo Agostinho (não confundir com o teólogo do mesmo nome), que fundou o primeiro bispado no país. Outros monges partiram da Irlanda, que já fora cristianizada, para converter os bárbaros da Inglaterra Setentrional e os pagãos da Escócia. Essas duas correntes evangelizadoras mais tarde entrariam em choque, visto que seus ensinamentos não eram exatamente os mesmos.

Os mosteiros anglo-saxões tornaram-se importantes centros culturais na Alta Idade Média, não só porque conservaram obras da Antiguidade Clássica, mas também pela erudição de muitos de seus monges. O maior representante da vida intelectual desse período foi Beda, o Venerável, um monge anglo-saxão do mosteiro de Jarrow.

Da Inglaterra saíram numerosos missionários em direção à Germânia, onde se destacou o trabalho de São Bonifácio; este, mais tarde, organizaria a Igreja entre os francos.
No final do século VI, os lombardos (um povo germânico) invadiram o Norte da Itália. No século seguinte, expandiram seu domínio na região e, a partir de 752, passaram a ameaçar Roma, cujo governante de fato era o papa, na qualidade de bispo da cidade. Os francos, comandados por Pepino, o Breve, acorreram em socorro do pontífice. Pepino venceu os lombardos (756) e doou ao Papado os territórios que conquistara na Itáiia Central. Criou-se assim o Patrimônio de São Pedro (mais tarde Estados da Igreja), sobre o qual o papa possuía poder temporal.

As ligações com o Estado Franco em fase de ascensão fortaleceram o Papado, mas ao mesmo tempo colocaram- no na dependência dos Carolíngios. Carlos Magno, por exemplo, interveio freqüentemente na escolha dos bispos. Para a Igreja, essa relação teve um aspecto positivo, pois o Estado leigo passou a se interessar pela difusão da fé cristã entre os pagãos; mas teve também um lado negativo, porque submeteu o Papado a uma autoridade temporal e estimulou a investidura leiga (ato pelo qual uma autoridade não-eclesiástica, como um rei ou imperador, nomeava um bispo e o empossava no exercício de sua função eclesiástica). Em conseqüência, cresceu a prática da simonia (tráfico de coisas sagradas e cargos eclesiásticos) e do nicolaísmo (casamento ou concubinato de membros do clero).

3. A organização da Igreja

A evolução da organização eclesiástica e os progressos da evangelização na Europa (que ampliaram a área de influência do papa) são os fatores básicos para explicar a reação da Igreja contra a ingerência do poder temporal.

A Igreja foi organizada nos moldes de uma monarquia pontifícia (um dos títulos atribuídos ao papa era o de Sumo Pontífice). Os bispos, que a princípio eram eleitos pelos presbíteros e aprovados pela aclamação popular, passaram a ser escolhidos pelo papa. Para resolver questões que dissessem respeito à Igreja em outros países, o papa enviava representantes especiais, os legados pontifícios. No plano central, a Cúria Romana, dividida em vários departamentos, administrava o vasto império da Igreja. A cúpula da hierarquia eclesiástica integrava o Colégio dos Cardeais, que a partir de 1058 passaria a eleger o papa. As despesas da monarquia pontifícia eram cobertas com as rendas dos domínios papais, com a remessa de recursos por parte das dioceses e mosteiros, com os tributos pagos pelos Estados vassalos do Papado e com o dinheiro de São Pedro — contribuição voluntária dos fiéis, arrecadada em toda a Cristandade.

O clero secular era formado pelos arcebispos (chefes das províncias eclesiásticas ou arquidioceses), pelos bispos (chefes das dioceses) e pelos padres comuns. Abaixo dos bispos e acima dos padres comuns havia os curas, que administravam as paróquias — igrejas locais, erigidas em aldeias ou em bairros de cidades maiores.

O clero regular era formado por monges ou frades, os quais viviam em comunidade nos mosteiros ou conventos. Os mosteiros menores se subordinavam a um maior, dirigido por um abade. O clero regular compreendia numerosas ordens ou congregações, cada uma com sua regra (regulamento) específica. A primeira regra para monges na Europa foi elaborada por São Bento, fundador da ordem dos beneditinos.

No século X, teve início dentro do clero regular um movimento reformista e moralizador que deu origem à Ordem de Cluny. Esta pretendia, dando ela própria o exemplo, incentivar o clero regular a retomar os princípios fixados na regra de São Bento (castidade, pobreza, caridade, obediência, orações e trabalho). Foram os monges clunicenses que incitaram o Papado a afastar a perniciosa influência do poder temporal sobre a Igreja.

Mas os mosteiros de Cluny vieram a cair no mesmo desregramento dos demais, o que provocou o surgimento de novos movimentos reformistas. Estes, por sua vez, acabavam incidindo nas mesmas faltas, e então apareciam outras congregações imbuídas dos mesmos ideais. Uma das regras mais rigorosas foi a dos cistercienses (ou Ordem de Cister), fundada por São Bernardo de Claraval.

No século XIII, ocorreu dentro do clero regular uma grande inovação: o surgimento das ordens mendicantes, assim chamadas porque pregavam a pobreza absoluta e viviam da caridade dos fiéis. Os franciscanos originaram de São Francisco de Assis, filho de pai abastado, mas que desfez de seus bens materiais para viver em total simplicidade (1210). Os dominicanos provêm de São Domingos, um nobre espanhol que fundou uma congregação dedicada à pregação junto aos fiéis, com o objetivo de fortalecê-los na fé católica (1215). Essas duas ordens produziram na Idade Média grandes pensadores, como o franciscano Rogério Bacon e o dominicano Tomás de Aquino.

A Mulher na Idade Média

Introdução

“A alma de uma mulher e a alma de uma porca são quase o mesmo, ou seja, não valem grande coisa.” (Arnaud Laufre).

“Toda mulher se regozija de pensar no pecado e de vivê-lo.” (Bernard de Molas).

“Quem bate numa mulher com uma almofada, pensa aleijá-la e não lhe faz nada” (Provérbio da época).

Por estes pensamentos da época já da para se ter uma idéia da visão que o homem tinha da mulher. Mas aí é que está, não se pode concluir como era a vida da mulher apenas pela visão masculina. Pois esta pode estar distorcida, ser apenas fruto de sua imaginação. É necessária que seja feita uma avaliação também da visão feminina. Aqui mostramos essa avaliação da visão de ambos os sexos. Para tentar concluir como era a vida das mulheres na Idade Média.

Desenvolvimento
A mulher na Família


As filhas eram totalmente excluídas da sucessão, quando contraiam matrimônio recebiam um dote, constituído de bens que seriam administrados pelo marido. A linhagem beneficiava apenas componentes do sexo masculino, e a herança só era passada para o primogênito, isso como forma de evitar a divisão dos bens da família. Quando a mulher se casava passava a fazer parte da família do esposo. Nessa nova família, quando viúva, não tinha direito à herança.

O casamento era um pacto entre duas famílias, seu objetivo era simplesmente a procriação. A mulher era ao mesmo tempo doada e recebida, como um ser passivo. Sua principal virtude, dentro e fora do casamento, deveria ser a obediência, submissão. Filha, irmã, esposa: servia somente de referência ao homem que estava servindo.

A inferioridade feminina provinha da fragilidade do sexo, da sua fraqueza ante aos perigos da carne. No centro da moral cristã existia uma aguada desconfiança em relação ao prazer. Ele, segundo os moralistas, mantinha o espírito prisioneiro do corpo, impedindo-o de se elevar em direção a Deus.

Na prática do sexo, sempre com o objetivo único da procriação, a mulher não deveria demonstrar sensação de prazer, a posição deveria ser o homem sobre a mulher. Essa posição obrigatória da prática do sexo indicava a situação de submissão que dela se esperava.

Seguramente, na concepção dos religiosos, o marido que amasse excessivamente sua esposa era visto como adúltero. Não deveria usá-la como se fosse uma prostituta. A mulher não podia tratar o marido como se ele fosse seu amante. Por intermédio do casamento, o corpo da mulher passava a pertencer ao seu esposo. Mas a alma dela deveria sempre permanecer na posse de Deus.

Na época, buscava-se justificar o desprezo dos homens pelas mulheres de todas as formas. Para os pensadores da época, a palavra latina que designava o sexo masculino, Vir, lembrava-lhes Virtus, isto é, força, retidão. Enquanto Mulier, o termo que designava o sexo feminino lembrava Mollitia, relacionada à fraqueza, à flexibilidade, à simulação.

Aos homens, pais ou maridos cabia o direito de castigá-las como uma criança, um doméstico, um escravo. Este desdém revela ao mesmo tempo desconfiança e temor. Os homens receavam o adultério por parte da esposa. Temiam que lhes oferecessem certos filtros mágicos que os levassem a impotência. Esterilidade, esta, que assustava os homens.

Atividades Profissionais

Na época, a mulher era vista como um ser que foi feito para obedecer. Não era bom que uma mulher soubesse ler e escrever, a não ser que entrasse para a vida religiosa. Uma moça deveria, isso sim, saber fiar e bordar. Se fosse pobre, teria necessidade do trabalho pra sobreviver. Se fosse rica, ainda assim deveria conhecer o trabalho para administrar e supervisionar o serviço de seus domésticos e dependentes.

Entretanto, não devemos pensar na mulher como um grupo compacto e oprimido pelos homens. As diferenças sociais foram sempre tão fortes como as diferenças de sexo. Muitas vezes a opressão era exercida pelas mulheres poderosas sobre as suas dependentes.

As camponesas deveriam, quando casadas, acompanhar seus maridos em todas as atividades desempenhadas no domínio senhorial onde trabalhava. Quando viúva trabalhava com os filhos ou sozinha. Já às aristocratas cabia a tarefa de ser dona de casa, função difícil na época, pois a economia doméstica era bastante complicada, exigiam muita habilidade e senso de organização da dama. O suprimento de alimentos e vestimentos da vasta família estava sob sua responsabilidade. Tinha de administrar o trabalho dos domésticos, acompanhar passo a passo à fabricação dos tecidos, controlar e supervisionar o abastecimento de alimentos.

Aspectos da Marginalidade Feminina

É difícil sustentar a hipótese de uma marginalização generalizada da mulher na Idade Média. O casamento, tornando-a responsável pela reprodução biológica da família, garantia-lhe papel de relevo na estabilidade da ordem social. Juridicamente despersonalizada, esteve reduzida ao meio familiar e doméstico.

Em alguns casos não se tratava apenas de marginalização de mulheres. A heresia, por exemplo, teve seguidores dos dois sexos.

Os movimentos heréticos representavam perigo para a doutrina oficial da Igreja em vários momentos desde a afirmação do cristianismo como religião preponderante no Ocidente. As heresias, doutrinas contrárias ao que se foi estabelecido pela Igreja, levados, pela independência na interpretação de textos sagrados, ao confronto com os dogmas estabelecidos, e outras vezes de velhas tradições pagãs não assimiladas pelo cristianismo e refutadas por esse motivo.

Na heresia, ao contrário das normas da Igreja, existia espaço para a pregação ao sexo feminino. Em uma das doutrinas hereges, as mulheres poderiam se tornar “perfeitas”, um grau superior nesta doutrina. Ao que tudo indica, esta mulher “perfeita” poderia prestar os mesmos serviços espirituais que o um homem, tendo os mesmos direitos e o mesmo apoio que eles gozavam.

Outra questão que levava a marginalidade feminina era a prostituição. Parece surpreendente o fato de uma atividade oposta aos rígidos padrões morais da época ter sido tão amplamente desenvolvida, tornando-se mesmo pública entre as pessoas que estabeleciam os fitos padrões. A prostituição, na verdade, foi sempre ambígua, considerada um “mal necessário”. Em última instância, a prostituição, imoral, colaborava para a sanidade da sociedade.

A prostituição resolvia o problema dos jovens. A difusão da prostituição em meio urbano diminui a turbulência característica desse grupo. O recurso aos “casarões noturnos” diminuiu a possibilidade de estupros, arruaças e violências generalizadas cometidas pelas agremiações juvenis. Resolvia também o problema da homossexualidade masculina. A prostituição servia ainda de remédio às fraquezas dos clérigos diante dos prazeres da carne.

Assim, de pernicioso aos olhos dos moralistas, pela garantia da moralidade pública, o meretrício, mais que tolerado, foi estimulado. Entretanto as “marcadoras do prazer” jamais foram bem vistas. Pelo contrário, era preciso afastá-las das “pessoas de bem”.

Conclusão

Ao final deste trabalho conclui-se que:

A mulher era vista como submissa pois era temida. Considerava-se que a mulher era o pecado, a carne fraca.

O casamento não tinha nunca o objetivo de unir pessoas que se amam, ou o objetivo de dar prazer a alguma das partes, e sim o objetivo da procriação.

A mulher quando se casava simplesmente trocava de homem ao qual tinha que se submeter (de pai para agora marido).

A prostituição era considerada um “mal necessário”, pois curava vontades de jovens e clérigos, mas ainda assim as prostitutas eram marginalizadas da sociedade.

As doutrinas diferentes à religião católica pregavam que a mulher poderia ter os mesmos direitos que os homens, por isso eram calorosamente perseguidas pela Igreja.

À mulher cabia as responsabilidades domésticas, exceto no caso de camponeses e classes mais baixas, que deveriam acompanhar seu marido no trabalho feudal.

Bibliografia

MACEDO, José Reaver. A mulher na idade média. São Paulo. Editora Contexto. 1990.

Autoria: Giovanna de Fraga Carneiro

Alemanha - da divisão à reunificação

Do ano zero às duas Alemanhas – 1945 – 1949

Os alemães precisaram de quatro anos para sair do pesadelo em que a derrota nazista os mergulhara. Vencidos, ocupados por potências estrangeiras, divididos, exauridos, condenados pela Historia e pelos sobreviventes do genocídio, seu destino dependia da vontade dos Aliados. As divergências que minaram a aliança antinazista e desembocaram na guerra fira contituiram excelente oportunidade para os alemães, tanto no Oeste quanto no Leste, reivindicassem o direito a um papel ativo no novo jogo internacional.

O ano zero

Nos dias 7 e 8 de maio de 1945, quando os chefes de Estado Maior aliados e alemães, assinaram o documento de capitulação, o regime nazista, já desmoronara. Adolfo Hitler, com a ocupação de Berlim pelos soviéticos suicidou-se em 30 de Abril.

As grandes cidades industriais estavam destruídas, os portos impraticáveis e as grandes fabricas, fora de operação. A população estava aterrorizada, milhões de homens longe de casa, mulheres e crianças fugiam do avanço soviético. As perdas humanas chegaram a 8% da população. Os lideres nazistas desapareciam na enorme massa de prisioneiros de guerra ou tentavam fugir, através da Espanha e Portugal, para a América do Sul. Por esse motivo 1945 é o ano Zero, quando começaram a reconstruir dos escombros a vida nacional.

Quatro zonas de ocupação

A capitulação incondicional de 1945 implicou o desarmamento e a dissolução de todas as Forças Armadas, a SS e a policia. Nas conferencias de Teerã 1943, e de Ialta 1945, ficou estabelecido por EUA, URSS, Reino Unido, a divisão alemã, para enfraquece-la territorialmente, ocupa-la, impor-lhe indenizações de guerra e impedi-la de voltar a ser uma potência econômica.

Na conferencia de Potsdam, julho e agosto de 1945, Truman, Churchill e Stalin decidiram tirar da Alemanha os territórios a leste dos rios Oder e Neisse, anexados por URSS e Polônia. A superfície alemã, ficou ¼ do que era em 1937.

As três grandes potências determinaram que a autoridade suprema seria exercida em três, depois quatro zonas de ocupação – A França seria admitida na partilha graças aos esforços do general De Gaulle-. Berlim também seria divida em quatro setores de ocupação.

Modos divergentes de ocupação

Os aliados em sua zona de ocupação se lançaram a tarefa de restabelecer a democracia.

Em sua área, os soviéticos criaram o Bloco de Partidos Antifascistas. Este foi colocados sob a direção dos comunistas alemães , que estavam refugiados na URSS e retornaram a Alemanha com o exercito vermelho.

A criação da Bizone

No decorre de 1946, as autoridades políticas alemãs nomeadas pelos Aliados ocidentais deram lugar a governantes eleitos. Na realidade, os EUA esforçavam-se por fazer com que os alemães aceitassem a divisão do país. As zonas americanas e britânicas fundiram-se numa nova entidade, a Bizone. Esse território voltou a ter administração alemã, liderados por Konrad Adeanuer. Começavam os preparativos para a convocação de uma Assembléia Constituinte.

Para impedir a adoção dessas medidas que resultariam no surgimento de um Estado alemão separado, a partir de 23 e 24 de junho de 1948 os soviéticos organizaram um bloqueio da antiga capital. Os acessos rodoviários e ferroviários foram fechados ate maio de 1949. Para suprir a cidade de alimentos e outros artigos básicos, os americanos e britânicos montaram uma ponte aérea de quase duzentos mil vôos.

Começa a nascer a Alemanha Ocidental – RFA

A questão das indenizações de guerra também constituía um ponto de discórdia entre ocidentais e soviéticos. Os soviéticos alem de praticarem a política de terra arrasada em seu setor, exigiam ser indenizados com os equipamentos das industrias situadas nas regiões mais ricas da Alemanha.

Americanos e britânicos perceberam que este desmantelamento transformariam as zonas de ocupação em desertos industriais e os obrigariam a gastar enormes quantias para sustentar o país. Dessa forma se declaram prontos devolver responsabilidades econômicas aos alemães, para que estes assumissem seu próprio destino. Apesar de algumas reservas e apreensão foi permitida o estabelecimento de uma economia social de mercado alemã, e a criação de uma zona econômica com uma nova moeda, o marco alemão –Deutschmark. Essa reforma monetária de 1948 pode ser considerada a etapa mais importante para a criação de um e depois de dois Estados alemães. De fato, com ela o Ocidente confirmou a divisão da nação alemã. Nesse contexto de guerra fria, só restou aos soviéticos responder com medidas que tiveram por conseqüência a criação do segundo Estado alemão.

Surge a Alemanha Oriental - RDA

Desde cedo os soviéticos encorajaram a formação de um bloco antifascista na Alemanha Oriental. Três anos mais tarde o bloco transformou-se na Frente Nacional que constitui-se na espinha dorsal do novo Estado, criado a 7 de outubro de 1949. Constituía-se também de organiçoes de massa, sobretudo a federação sindical, o movimento feminino e o juvenil. A frente desenvolveu um programa antifascista e democrático, comandado por Walter Ulbricht, que voltou a Alemanha (zona soviética) em 1945. Tal estratégia subordinava inteiramente aos desejos e necessidades do ocupante soviético. Porem, para responder ao Plano Marshall e a garantia de um poder sem contestação sobre as nova nações socialistas , já que o dirigente iugoslavo Tito traçava uma política interna e externa independente de Moscou, o partido comunista adotou a ideologia marxista-lenista endurecendo seu controle sobre as nações sob seu domínio.

Duas Alemanha em busca de reconhecimento 1949-1972

Uma vez constituídas, as duas Alemanhas se engajaram por completo na área de influencia de seus respectivos protetores. A guerra fria eliminou rapidamente qualquer esperança de reunificação alemã. Em 1961, a construção de um muro que isolava Berlim Oriental pareceu selar a divisão definitiva da Alemanha em dois Estados distintos. A RDA E A RFA tentaram ser reconhecidas pela comunidade internacional, também profundamente dividida.

RFA-RDA: historia de uma separação – 1949-1955

Tanto no leste quanto no oeste, nenhum político alemão admitiu que a divisão de seu povo fosse permanente. A Alemanha Ocidental afirmava representar todo o povo alemão e decidiu atribuir-se o privilegio de representar a continuidade de Estado alemão. Na disputa áspera e sem concessões que opôs a RFA e a RDA, foi a Alemanha Ocidental a que obteve mais depressa os resultados visíveis.

A opção ocidental e européia de Adenauer

Entre 1951 e 1955, o chanceler Adenauer ocupando também a função de ministro do Exterior objetivou sua política externa em fazer da novíssima RFA uma potência de âmbito internacional. Assim, adotou uma política de alinhamento com as condições impostas pelos aliados e não uma política de oposição buscando o alinhamento com a política dos Estados Unidos ou o estabelecimento de um eixo franco-alemao, em torno do qual se inscreveria a unidade européia em 1958-1963.

A RFA aprovava as grandes decisões ocidentais, mas para ela era ponto de honra que essas decisões levassem em conta um ponto de vista simultaneamente alemão e europeu. Isso constituía uma oportunidade de afirmar sua soberania e ser considerada uma entidade política igual a seus parceiros. Dessa forma foi aceita em 1954 na OTAN.

O Leste limita-se a reagir

No Leste, a situação se apresentava de maneira totalmente diversa. Os dirigentes comunistas alemães não tentaram obter autonomia em relação aos soviéticos. Alem disso, todas as medidas que provocaram a mudança do estatuto jurídico da zona de ocupação soviética foram apenas respostas a decisões ocidentais: a RDA foi fundada alguns meses depois da RFA, a Alemanha Oriental se integrou na aliança militar do Pacto de Varsóvia após a adesão da Alemanha Ocidental a OTAN. Essas decisões sempre se fizeram acompanhar de declarações que denunciavam a política revanchista dos alemaes-ocidentais.

Às medidas políticas se juntavam aquelas destinadas a dar credibilidade à idéia de que a Alemanha Oriental, pacifica por natureza, era forçada a se transformar numa fortaleza para proteger-se do expansionismo das forças capitalista que a assediavam. Assim em 1952, uma zona proibida de cinco quilômetros de largura ao longo de toda a fronteira do oeste foi criada.

A Alemanha Ocidental alcança a soberania

Diante de uma garantia , a da integração da RFA na Comunidade Européia de Defesa (CED) que deveria agrupar também a França, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo, a Alemanha Ocidental consegue sua soberania. Os únicos limites impostos eram a permanência de tropas estrangeiras no país, a continuação da divisão de Berlim em quatro zonas e a impossibilidade de concluir tratado de paz. Essa medida, considerada unilateral pelas autoridades soviéticas, fez com que a Alemanha Oriental imediatamente fechasse as fronteiras entre as duas zonas.

Contrariando os objetivos soviéticos, que queriam uma Alemanha desmilitarizada e neutralizada no centro da Europa, Adenauer consegue o rearmamento da Alemanha Ocidental integrando seu exercito na OTAN, em outubro de 1954. Acabava também o regime de ocupação, e os altos comissários foram substituídos por embaixadores. Os ocupantes de antes se transformaram em aliados que defenderiam a Alemanha Ocidental do perigo comunista.

Conseguido a soberania a RFA inicia um crescimento econômico ininterrupto, o Milagre Alemão. Esse se deu devido ao modelo econômico, onde existia total liberdade aos agentes econômicos na condução de seus negócios, a ajuda financeira do plano Marshall e a moderna legislação trabalhista sindical introduzida no país. Isso permitiu uma taxa de crescimento superior a 10% durante 10 anos.

A soberania Ampliada da RDA

Os soviéticos, por sua vez, concederam `soberania ampliada` aos alemães orientais, em marco de 1954. Um ano depois, em maio de 1955, a RDA se tornou membro pleno do Pacto de Varsóvia.

No entanto, para não ser considerada apenas uma das duas Alemanhas, a RFA pos então em pratica a chamada doutrina Hasllstein: todo reconhecimento diplomático da RDA por um Estado soberano implicaria a ruptura de relações diplomáticas com a RFA. A Alemanha Ocidental reinvidiacava o direito de representar unilateralmente a Alemanha. A doutrina seria aplica duas vezes: em 1957 contra a Iugoslávia e em 1963 contra Cuba.

Economicamente , o objetivo era levar a zona oriental a adotar os princípios de coletivizado que vigoravam na União Soviética: a intervenção do estado na economia mediante a planificação e a transformação do conceito propriedade e uma política de coletivizaçao dos diferentes ramos econômicos.

Ideologicamente, houve a imposição de uma identidade comum a população, que ao sair da guerra ainda não havia aderido aos ideais comunistas. Baseado no marxismo-leninismo, essa ideologia era veiculadas em todas as atividades sociais –escolas, universidades, clubes esportivos e associações culturais.

Dada a natureza do regime, em que a ideologia desempenhava um papel fundamental, resistências fizeram-se sentir nos meios políticos, científicos e culturais. Assumiram a forma de fuga constante de operários e outros profissionais – técnicos, administradores, médicos, professores – para a Alemanha Ocidental. O fechamento das fronteiras em 1961-62 com a construção do muro de Berlim, salvou o regime de um desmoronamento quase inevitável. Sem qualquer esperança de uma reunificação rápida, os alemães orientais aderiram a idéia de se tornaremos trabalhadores mais eficientes do mundo socialista, objetivo que alcançaram com relativa rapidez.

A caminho do reconhecimento mutuo

Ao longo de toda a sua historia, a Alemanha freqüentemente se voltou mais para o lestes do que para o oeste. Dessa forma a RFA rapidamente desenvolveu uma política independente para o leste conhecida como Ostpolitik. Ela resultou no estabelecimento de relações comerciais com diversos países do leste: Polônia, Romênia, Hungria em 1963 e Bulgária em 1964. Pouco a pouco, a doutrina Hallstein foi sendo abandonada, e a Alemanha Ocidental estabeleceu relações diplomáticas oficiais com a Romênia em 1965, Iugoslávia em 1966 e Tchecoslováquia em 1967. Por fim, em 1973 rejeitaram definitivamente o passado hitlerista, reconhecendo de modo oficial a nulidade dos acordos de Munique de 1938, que haviam levado a destruição do Estado tchecoslovaco.

Em 1970, uma troca de visitas de chefes de governo de RFA e da RDA simbolizou a aproximação entre os dois países. Em dezembro de 1972, com a assinatura de um tratado entre as duas Alemanhas, chegou-se ao fim de 23 anos de hostilidades. Os dois países garantiam imutabilidade de suas fronteiras e reconheciam a independência de ambos os Estados. Cada uma se comprometia a instalar no vizinho uma representação permanente. Assim os dois Estados alemães foram conjuntamente admitidos na ONU em 1973.

A partir de meados da década de 80, grandes empréstimos oriundos de bancos alemães ocidentais e numerosos acordos comerciais fizeram da Alemanha Oriental um membro associado – embora oculto – da comunidade econômica européia. Entretanto, o apoio econômico alemao-ocidental não foi acompanhado de um controle orçamentário, que deveria ter limitado os gastos dos setores improdutivos da Alemanha Oriental. Tal qual em todos os países do bloco socialista o aparelho produtivo não foi modernizado, e a passagem para a Era da automação industrial se fez de forma bastante inadequada. Era uma situação ainda mais embaraçosa porque, anos após ano, a Alemanha Oriental afirmava-se ser o país mais avançado do Leste europeu no que referia a industrialização e ao domínio da tecnologia moderna.

O ano 1 da nova Alemanha

Em 1989, alguns meses de manifestações populares conseguiram o que quarenta anos de intermináveis negociações internacionais não tinha alcançado: a reunificação da Alemanha.

Enquanto na União Soviética e nos outro países comunista a abertura política e as reformas da perestroika avançavam, na Alemanha Oriental o governo criticava violentamente essa abertura. Mais uma vez, foi abandonando o país que os alemães – orientais mostraram seu repudio ao socialismo.

O desmoronamento de um regime

No fim de 1988, os ventos de liberdade e democracia já haviam abalado os regimes comunistas da Polônia e da Tchecoslovaquia. Em eleições livres e limpas os partidos comunistas foram varridos desses países. Essa abertura política foi muito mal recebida pelos dirigentes da RDA que não estavam dispostos a aceita-la na Alemanha Oriental. Mas a grande maioria da população não pensava assim e fugiram do país quando em agosto de 1989, a Hungria abriu suas fronteiras com a Áustria. Uma onda de emigração apanhou o governo de surpresa: enormes filas de carros atravessaram a Tchecoslovaquia, a Hungria e depois a Áustria, para chegara a Alemanha Ocidental.

A revolução pacifica

A partir de setembro, quando o grosso dessa evasão já acabara, os habitantes da Alemanha Oriental se mobilizam em grandes manifestações, exigindo que a RDA seguisse o exemplo dos outro países da Europa oriental e concedesse liberdade e democracia com o lema `O povo somos nós. As tentativas de conter as manifestações por meio de repressões violentas e intimidações fracassaram e Honecker, no poder desde 1971 é destituido.

Cai o muro de Berlim

A 9 de novembro de 1989, convencidos de que não havia outra saída o Partido Comunista ordenou que se abrisse a fronteira berlinense e se derrubassem o muro. Na euforia do momento, em tres dias cerca de 3 milhões de alemães orientais foram a Berlim Ocidental. Como presente de boas vindas, o governo da Alemanha Ocidental ofereceu a cada visitante dezenas de marcos. Dali a menos de um ano, viria a reunificação.

O Partido Comunista ainda tentou dominar a situação organizando eleições livres. Elas foram marcadas para a segunda metade de março e teriam a participação dos dois grandes partidos da Alemanha Ocidental.

Porém para evitar que a RDA reformada sobrevivesse e que uma confederação de dois Estados alemães se concretizassem, Helmut Kohl, chanceler da RFA, acelerou o processo de reunificação. Se declarou a favor da rápida abertura de negociações entre as duas Alemanhas, da unificação monetária, qualificando como dramática a situação econômica da Alemanha Oriental propondo que o Deustschmark se tornasse a moeda comum de reunificação. Mas, se recusou a conceder ajuda econômica se nas eleições de março, a RDA voltasse a ser governada por comunistas. Porem, estas deram vitoria arrasadora aos democratas cristãos em todas as regiões da RDA.

Novamente um só país

Com a união monetária e econômica entre as duas Alemanhas e a entrada da antiga RDA na OTAN – por meio da incorporação do país `a Alemanha Ocidental a União Soviética cedeu aos apelos da Alemanha Ocidental aceitando retirar suas tropas da antiga Alemanha Oriental, após 45 anos de ocupação. Ficou acertado que as forcas militares soviéticas se retirariam dali ate 1994. Os custos dessa retirada seriam bancados pela Alemanha Ocidental.

Em setembro de 1990, em Moscou, a Alemanha Ocidental assinou com os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França um tratado que punha fim à tutela dessa potências sobre a Alemanha, a qual voltava a ser plenamente soberana.

A reunificação entrou em vigor a 3 de outubro de 1990, com a transformação da antiga RDA em cinco Lânder da Alemanha Ocidental.

Emancipada, a Alemanha, antes uma gigante econômica e anão político, passou a se afirmar não apenas como a terceira potência econômica mundial, mas também como a mais rica e populosa nação da nova União Européia, formada a partir do Tratado de Maastricht, que entrou em vigor em novembro de 1993.

Autoria: Odair Rodrigues

América Pré-Colombiana

Antes de Incas e Astecas, importantes grupos se desenvolveram na Mesoamérica, como os Olmecas e os Maias, estes últimos conhecidos como "os gregos do Novo Mundo".

Os olmegas

A cultura olmeca, que se originou na costa sul do Golfo do México (La Venta, San Lorenzo, Tenochtitlán, Três Zapotes), é considerada a primeira cultura elaborada da Mesoamérica, e matriz de todas as culturas posteriores dessa área.

Quem foram os olmecas? A sua antigüidade remonta á época em que na Europa, depois de invadirem Creta, os aqueus se preparavam para conquistar Tróia. Portanto, por volta do século XIII a.C., surgiu na América a primeira civilização. Que durou até cerca do ano 100 a.C.. As características marcantes do Império Olmeca, que se estendeu desde o México Ocidental até, talvez, a Costa Rica - foram a escultura monumental (colossais cabeças de pedra) e a presença de centros cívicos religiosos a que se subordinavam áreas periféricas (satélites).

Tem razão o historiador mexicano Ignacio Bernal em declarar que ''para nós, americanos, ainda é melhor conhecida a vida de Roma que a de Tenochtitlán ou de Cuzco". Embora já se conheça razoavelmente bem a vida econômica e sócio-política dos astecas e incas, a mesmo não acontece com relação aos olmecas. Recentes pesquisas arqueológicas, realizadas em San Lorenzo, um dos principais centros Olmecas e, provavelmente, o primeiro centro civilizada da Mesoamérica, nos dão conta da existência de colinas artificiais, com desaguamentos subterrâneos que funcionariam como sistemas para controle da água. A costa meridional do Golfo do México é uma área pantanosa, irrigada por numerosos rios. Nesse ambiente tropical, os olmecas cultivaram milho, feijão e abóbora, complementando a subsistência com os produtos obtidos através da caça e da pesca.

Além de talhar monumentos gigantescos, feitos de pedra, os olmecas também destacaram-se no artesanato de jade. Nem pedra, nem jade existiam no litoral do Golfo. Os olmecas iam buscar essas matérias-primas em regiões distantes. Como não conheciam a roda, nem possuíam animais de carga, a pedra era transportada em balsas, por via fluvial. A procura do jade deve ter servido como estimulo ao comércio, que se fazia através de numerosas rotas. Acredita-se que a notável influência olmeca na Mesoamérica seja devida á extensão desse comércio. A organização social dos olmecas era bastante desenvolvida. A população, espalhada pelo Império, dividia-se entre urna minoria (sacerdotes, artífices de elite), que habitava os centros cerimoniais, e a maioria do povo - camponeses - que vivia nas aldeias. Nos centros cerimoniais, como o de La Venta, havia altos cômoros, em forma de pirâmide truncada, construídos sobre grandes plataformas de terra, organizadas ao redor de plazas, segundo um plano sistemático. Esses montículos de argila eram rodeados de enormes fossas, onde foram encontradas máscaras religiosas profundamente enterradas. Ao que parece, os cômoros tinham funções primordialmente funerárias é de se supor a existência de Chefias ou Estados incipientes (como em Três Zapotes), devido á necessidade de supervisão e planejamento, além de recrutamento de numerosa mão-de-obra, para a construção das pirâmides, plataformas e aterros.

O valor dominante do religioso caracterizou a Arte olmeca. A escultura era bastante desenvolvida: monumentais cabeças de pedra, com rosto redondo, lábios
grossos e nariz achatado; estatuetas com formas humanas; e outras apresentando uma mistura de traças humanos e felinos (aguar). Todas caracterizavam-se pela boca retorcida - típica da Arte olmeca. São freqüentes as representações do jaguar, a principal divindade, sendo que o homem-jaguar representaria, provável mente, o deus da chuva. Quanto a pintura, dela encontraram-se poucas exemplares, em locais distantes. Sabe-se que tinham conhecimentos de Astronomia - basta observar-se o traçado das suas cidades, obedecendo aos pontos cardeais (como La Venta) e um calendário, pois foram encontrados, em alguns monumentos, registros de datas muito antigas. Também conheciam a escrita e possuíam sistemas matemáticos. Muitos traços e tradições dos olmecas sobreviveram entre as diversas culturas que os sucederam, como é o caso das culturas dos maias e astecas.

Os maias

Os maias - que ocuparam as planícies da Península do Iucatã, quase toda a Guatemala, a parte ocidental de Honduras e algumas regiões limítrofes constituíam povos que falavam línguas aparentadas, e elaboraram uma das mais complexas e influentes culturas da América. Alguns historiadores, para quem a Europa é o centro do mundo, chegaram a comparar os maias aos gregos, em termos de importância cultural. Estes Gregos do Novo Mundo possuíam uma economia agrícola baseada na produção do milho, considerado alimento sagrado, pois dele se teria originado o homem, segundo a mitologia maia. A terra era cultivada coletivamente, obrigando-se os camponeses ao pagamento do imposto coletivo. A caça e a pesca eram atividades complementares, sendo desconhecida a pecuária.

A organização social dos maias ainda é, em grande parte, desconhecida. Entretanto, através do estudo da Arte maia, sobretudo de sua Pintura, pode-se caracterizar essa civilização como uma sociedade de classes. Uma elite (militares e sacerdotes) constituía a classe dominante, de caráter hereditário, que habitam as numerosas centros cerimoniais, circundados pelas aldeias onde vivia a numerosa mão-de-obra composta por camponeses submetidos ao regime da servidão coletiva. Os centros maias não eram apenas o lugar da administração e do culto, mas também exerciam funções comercias: trocas de produtos cultivados e de artigos do artesanato, (objetos de ouro e cobre, tecidos de algodão, cerâmica), sendo muito importante o ofício de mercador. Havia ainda os escravos, cujas figuras apareciam em numerosos monumentos do Antigo Império Maia. "Estas figuras de cativos certamente são uma representação dos prisioneiros de guerra reduzidos á escravidão, ainda que possam representar também as pessoas de todo um povoado ou aldeia, coletivamente, melhor do que a um indivíduo em especial, as vezes, os rostos dos prisioneiros são diferentes dos das principais figuras, diferença que possivelmente indica que os senhores pertenciam a uma classe hereditária especial."

Politicamente, acredita-se que o governo maia fosse uma teocracia, exercida pelo Halach Uinic, de caráter hereditário, incumbido da política interna e externa,
e do recolhimento do imposto coletivo das aldeias. Uma espécie de Conselho assessorava esse governante. As chefias das aldeias eram exercidas pelos Batab, com jurisdição local e submetido ao supremo governante, como, aliás, todos os habitantes das aldeias e os funcionários reais. Estas chefias locais poderiam ser constituídas pelas antigas aristocracias tribais, cooptadas pelo Estado para melhor afirmar sua autoridade sobre as aldeias. Havia ainda os Nacom, chefes militares eleitos por um período de três anos, que intervinham nos assuntos da guerra, organizando o exército; e funcionários menos categorizados, os Tupiles, que zelavam pela ordem pública.

Os maias na verdade, nunca chegaram a constituir um Império: cada cidade com suas respectivas aldeias, formava um Estado independente: Palenque, Copán, Tical e outras.

Do ponto de vista religioso, os maias acreditavam que o destino do homem era controlado pelos deuses, e, assim, toda sua produção cultural foi nitidamente influenciada pela religião. A arquitetura era sobretudo religiosa. Utilizando principalmente pedra e terra como materiais, e trabalho forçado da numerosa mão-de-obra camponesa, construíram-se templos, de forma retangular, sobre pirâmides truncadas, com escadarias, e estendendo-se ao redor de praças. Também se edificaram palácios, provavelmente para residência dos sacerdotes, em que os interiores , geralmente longos e estreitos, eram cobertos por uma falsa abóbada, característica desse tipo de edificação. Todas as dependências revestiam-se de elaborada decoração - esculturas, pinturas murais, geralmente representando cenas guerreiras ou cerimoniais (altos dignitários sendo homenageados ou servidos por súditos). A escultura em terracota foi outro exemplo notável da Arte maia, enquanto a Pintura, utilizando cores vivas e intensas, atingiu alto grau de perfeição.

A preocupação religiosa também estava presente nas realizações dos maias no campo do registro do tempo. Uma das grandes realizações devidas aos sacerdotes foi o calendário da América Central. Todas as religiões se interessam pela determinação do tempo. Elas ligam o ciclo vital da indivíduo aos atos rituais que revivem periodicamente na sociedade e sincronizam este tempo social com a marcha do tempo. O calendário cíclico, que abrangia um período de 52 anos, era um sistema complexo de contagem do tempo, agrupando três ciclos, com número diferente de dias e com múltiplas combinações. Esse calendário orientava as atividades humanas e pressagiavam as vontades dos deuses. Os maias fizeram notáveis progressos na Astronomia. (eclipses solares, movimento dos planetas). Também adquiriram avançadas noções de Matemático, como um símbolo para o zero e o principio do valor relativo.

Embora não esteja ainda de todo decifrada, já se sabe que a escrita maia, considerada sagrada, não se baseava em um alfabeto: havia sinais pictográficos e símbolos apresentando sílabas, ou combinações de sons. No que restou da produção literária, sobressai o Popol Vuh, livro sagrado dos
maias, que contém numerosas lendas e é considerado um dos mais valiosos exemplos de Literatura indígena.

Por volta do ano 900, o Antigo Império Maia sofreu um declínio de população,e teria iniciado um processo erroneamente confundido com decadência. Alguns
estudiosos atribuem o abandono dos centros maias à guerra, insurreição, revolta social, invasões bárbaras etc. De fato, os grandes centros foram abandonados, porém não de súbito. As hipóteses mais prováveis apontam para uma exploração intensiva de meios de subsistência inadequados, provocando a exaustão do solo e a deficiência alimentar.

A cultura maia posterior, fundindo-se com a dos Toltecas, prolongou-se no Novo Império Maia até a conquista definitiva pelos espanhóis.

Maias, Astecas e Incas


Antes da conquista européia, a América conheceu o desenvolvimento de importantes civilizações, que formaram-se ao longo de milhares de anos e que possuíam complexa organização social, econômica e política, que realizaram grandes obras públicas: sistema de irrigação, assim como palácios e templos, tanto na Mesoamérica, onde encontravam-se Maias e Astecas, como no Altiplano Andino, onde desenvolveu-se o Império Inca.

Essas três civilizações tinham como base as características gerais do Modo de Produção Asiático, possuindo portanto semelhanças com civilizações mais antigas do Oriente Próximo, mas também diferenças significativas entre si.

A economia era essencialmente agrária, sendo a terra considerada como propriedade do Estado e trabalhada pelas comunidades camponesas, existindo atividades complementares como a criação de animais, o comércio e a mineração, esta última especialmente entre ao Astecas no México e os Incas no Altiplano Andino.

Os Astecas desenvolveram um sistema de plantio baseado nos "jardins flutuantes", em região pantanosa que passou então a produzir.

As comunidades camponesas conservavam pequena parcela de terra para uso familiar, mas a maior parte das terras pertencia à sacerdotes e elites locais (líderes dos clãs) no caso de Maias a Astecas. Entre os Incas a terra era divida em: Terra do Estado, Terra dos sacerdotes e Terra comunitária, onde cada família possuía um lote para cultivo próprio, onde produziria após trabalhar as terras do imperador e dos sacerdotes. A exploração do trabalho dos camponeses pelo Estado ainda era realizada através da mita , ou seja, toda comunidade estava obrigada a fornecer homens para as obras públicas ou para o trabalho nas minas.

Apenas os Incas desenvolveram de fato um Império centralizado e teocrático, onde o Imperador, chamado Sapa Inca era considerado um deus, descendente direto do sol, supremo legislador e comandante do exército, suplantando a antiga unidade social, o Ayllu, (clã). Na Península do Iucatã, os Maias desenvolveram um tipo de organização, onde cada centro urbano possuía autonomia e comandava as comunidades camponesas ao seu redor.

Na região do México, em uma ilha do Lago Texcoco, os mexicas ou astecas construíram uma grande cidade, capital do Império - TENOCHTITLAN - onde havia palácios, templos, mercados e canais de irrigação, demonstrando grande desenvolvimento. Apesar de considerado um Império, em parte por suas conquistas e o domínio sobre vários povos, O imperador possuía representação religiosa e militar, mas não necessariamente política, na medida em que havia anteriormente um grupo de uma camada de militares e sacerdotes originários dos líderes das aldeias.

Na medida em que líderes locais e sacerdotes se fortaleceram, essas sociedades viram a formação de classes sociais, rigidamente estratificada, consideradas portanto como estamental. Entre esses três povos havia uma elite de sacerdotes, militares e artífices do Estado e uma grande massa de camponeses responsável pela produção de excedentes, que concentravam-se nas mãos da elite.

A religiosidade caracterizava-se pela crença em vários deuses, normalmente vinculados a elementos da natureza, como sol, chuva ou fertilidade, influenciando suas manifestações artísticas, principalmente a construção de grandes templos.

Os povos da Mesoamérica realizaram obras arquitetônicas colossais, representadas por templos e palácios em terraços com forma piramidal, assim como produziram objetos com caráter decorativo, obras de ourivesaria de prata, ouro e pedras preciosas dos astecas, utilizadas para decorar palácios e templos.

No Altiplano Andino, os testemunhos mais importantes dessa cultura encontram-se na arquitetura monolítica e despojada de ornamentos, na qual demonstraram tanto uma técnica impecável quanto uma grande frieza expressiva. Atribuíram também grande importância à indústria metalúrgica, principalmente na fabricação de armas, ao artesanato têxtil e à cerâmica. Nessa última, dedicaram-se às peças pequenas e às estatuetas antropomórficas.

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